OTIMISMO NAS INDÚSTRIAS FARMACÊUTICAS EM 2020

Atualizado: Mai 26


POR EGLE LEONARDI


Com certeza, há muito que comemorar neste ano. O cenário para 2020 é de crescimento, o que alavancará os negócios da indústria farmacêutica no Brasil. O presidente do Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos (Sindusfarma) e membro do Conselho Nacional de Saúde, Nelson Mussolini, acredita que a indústria nacional está muito otimista: “Há uma predisposição a investimentos, especialmente nos segmentos de medicamentos inovadores. Esperamos, também, uma postura liberal da parte do governo, a fim de que possamos trazer novas tecnologias para o País, melhorando a saúde da população brasileira”.


De acordo com dados do Sindusfarma, as vendas da indústria farmacêutica no País, em 2019, somaram, aproximadamente, R$ 68 bilhões no canal farma, o que representou crescimento de 10% na comparação com 2018. A gradual recuperação do consumo das famílias, ainda que lenta, contribuiu para esse resultado.


Por conta do câmbio mais barato e do mercado em crescimento, há uma tendência de atração, principalmente, de investidores estrangeiros, segundo Mussolini. Ele acredita que o posicionamento é estruturado na indústria farmacêutica, ou seja, as companhias de fora estão focadas nos medicamentos inovadores, e as nacionais têm maior atuação nos produtos maduros.


Impacto nos canais


A performance da indústria também refletiu no varejo. Segundo o estudo de Mercado Institucional da IQVIA, empresa global associada a soluções de auditoria, tecnologia e consultoria para o mercado de saúde, o segmento farmacêutico brasileiro alcançou vendas de R$ 215,6 bilhões em 2019. O estudo mostrou crescimento do varejo abaixo dos canais institucionais, porém ainda acima da inflação.


Para o diretor associado de Relacionamento com Parceiros Estratégicos da IQVIA, Alexandre Santos, o mercado farmacêutico está em mudança devido à nova onda de lançamentos das indústrias farmacêuticas, que buscam soluções, principalmente, para oncologia, depressão, Alzheimer e doenças raras. Esses problemas, na maioria dos casos, são tratados em ambiente hospitalar, e não na farmácia tradicional.

“O mercado farmacêutico apresentou crescimento próximo a 10% em 2019, acima do verificado nos últimos anos, que ficou em torno de 4% a 8%. Se descontarmos a inflação, 2019 foi o melhor ano dos últimos cinco anos em termos de crescimento real”, avaliou Santos.


O levantamento realizado pela Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma) aponta para um patamar bastante positivo para 2020 e para os próximos três anos. De acordo com o estudo, até 2023, o mercado deverá movimentar R$ 175 bilhões, colocando o Brasil na quinta posição do ranking, ou seja, subindo um patamar, já que, segundo a IQVIA, o País é o 6º maior mercado farmacêutico do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos, China, Japão, Alemanha e da França.


“Eu diria que a indústria farmacêutica tende a ser menos suscetível às oscilações da economia, por conta da necessidade do produto farmacêutico, o que não ocorre em outros setores. Essa é uma característica mundial, que se reflete também no Brasil”, afirma o diretor do CDPI Pharma – Centro de Desenvolvimento Profissional Industrial, Poatã Casonato.


No mercado brasileiro, cerca de 75% das vendas são out-of-pocket, ou seja, o paciente brasileiro paga pelas terapias que precisa. As compras do governo, dessa forma, se tornam especialmente relevantes no caso de medicamentos de alto custo, como tratamentos para doenças raras, câncer, doenças degenerativas e neurológicas, entre outras. Portanto, a incorporação de terapias modernas, pelo SUS, pode ter impacto positivo no setor industrial nacional.


O mercado mundial


Segundo o relatório especial da The Economist Intelligence Unit, líder mundial em inteligência de negócios, após 2019 ter se mostrado pouco pulsante, os gastos globais com medicamentos serão acelerados em 2020.

Para os setores de saúde e farmacêutico, 2020 trará muitas tendências que mudarão o rumo do segmento. Entre os 60 países cobertos pelo relatório, espera-se que os investimentos em saúde cresçam pouco mais de 6,2% - quase o dobro do registrado em 2019.


A América Latina será a região de crescimento mais lento. Novos governos no Brasil, Chile e Argentina têm planos de revisar os sistemas de saúde pública existentes para melhorar a qualidade ou a cobertura. A região como um todo, no entanto, será prejudicada pelos problemas econômicos contínuos na Argentina e Venezuela, bem como pela incerteza econômica e política no México.


O relatório afirma que o crescimento será mais rápido nas economias em transição do antigo bloco soviético, no Oriente Médio e na África, enquanto a Ásia verá os gastos com medicamentos acelerarem novamente. No entanto, o mercado crucial dos Estados Unidos verá o crescimento dos gastos lento antes das eleições presidenciais de novembro.


Os esforços para reduzir os preços dos produtos farmacêuticos, principalmente na China e nos Estados Unidos, levarão a uma forte desaceleração no crescimento das vendas. Espera-se que as vendas aumentem apenas 3,1%, abaixo dos 6,3% em 2019.

Com os investimentos globais em saúde programados para acelerar, é possível que cheguem a US$ 8,7 bilhões (R$ 35,6 bilhões), ou cerca de 10,2% do PIB global em 2020. No entanto, esses investimentos no segmento farmacêutico serão distribuídos de maneira muito desigual. Somente os Estados Unidos responderão por cerca de 44% do total de gastos em saúde, enquanto a Ásia e a Europa Ocidental serão responsáveis por mais de 20%. Isso deixará menos de 10% dos investimentos a serem compartilhados em todo o mundo.


A previsão do relatório é que a pressão sobre os preços dos medicamentos nos Estados Unidos se intensifique. Isso terá um grande impacto nas empresas farmacêuticas globalmente, dado o tamanho do mercado americano. Com o Canadá introduzindo um sistema nacional de farmácia, para tornar a compra mais eficiente, espera-se que o crescimento dos gastos com medicamentos da América do Norte diminua para 4,6%, abaixo dos 5% em 2019.


As antigas economias em transição soviéticas verão os investimentos aumentarem 10% em 2020, tornando-a a região que mais crescerá. O aumento será liderado pela Rússia em recuperação. O Oriente Médio e a África também terão um forte crescimento. Na região do Golfo, isso refletirá uma recuperação econômica à medida que os preços do petróleo se estabilizarem, enquanto no Egito, África do Sul e Nigéria, refletirá planos de implantar maior produção e fornecimento de medicamentos.


Na Europa, o crescimento da indústria será mais lento. A desaceleração econômica da Alemanha restringirá sua capacidade de expandir os orçamentos, enquanto o Brexit pesará nos gastos do Reino Unido.

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