OS BENEFÍCIOS DOS MÉTODOS MICROBIOLÓGICOS RÁPIDOS

Atualizado: Mai 26


POR EGLE LEONARDI


Métodos microbiológicos rápidos (MMR) são desenvolvidos para obter resultados analíticos confiáveis que garantam, de forma mais eficaz, a segurança do produto, reduzindo o tempo de detecção e, para alguns métodos específicos, melhorando o isolamento, enumeração e caracterização de micro-organismos. Isso possibilita a automação, rastreabilidade e intervenção caso sejam necessárias em tempo hábil, durante o processo.


De acordo com a especialista em Controle de Qualidade Microbiológico e análises Microbiológicas, Físico-Químicas, Biológicas (in vitro/ in vivo) e Estabilidade, Franciele Tafarello Biscola, as principais características esperadas dos métodos microbiológicos rápidos são redução do tempo analítico e melhor sensibilidade, considerando que a recuperação microbiana é um item crítico.


Esses testes são aplicados na indústria alimentícia, cosmética e farmacêutica. São empregados no controle de qualidade microbiológico para análises de matéria-prima, água, produto semiacabado e produto acabado, ou seja, se aplicam em toda a cadeia produtiva para controle em processo e liberação do produto final pelo controle de qualidade, de acordo com Franciele.


“Acredito que o tema já evoluiu muito no Brasil, mas ainda vejo como desafio que a cultura é o principal problema, pois muitas vezes existe o receio em investir em uma nova técnica, que não necessariamente será aceita pela Anvisa. Assim, a capacitação profissional é fundamental para a elaboração de um projeto que mapeie todos os riscos e benefícios, e execute uma validação robusta”, destaca ela.


A coordenadora de controle de qualidade microbiológico na Geolab Indústria Farmacêutica, Alessandra Aparecida Cristo, concorda: “Os desafios são frente à regulação do método rápido junto ao órgão fiscalizador da Anvisa, além dos custos dos consumíveis que, quando comparados ao método tradicional, são muito menos acessíveis”.


Alessandra defende que os métodos tradicionais são muito antigos e possuem certo limite de detecção que, quando comparados a métodos rápidos, são bastante inferiores: “O futuro é promissor para a utilização de métodos rápidos, haja vista que, cada vez mais, se procura agilidade na liberação dos produtos e segurança dos processos de fabricação”.


TECNOLOGIA MAIS AVANÇADA


“Eu acredito muito nos métodos rápidos, não necessariamente pelo benefício do tempo (embora este seja um ponto superpositivo para sua implementação), mas do ponto de vista de qualidade os métodos alternativos utilizam tecnologias avançadas para que o microrganismo seja detectado, que não dependa em suma do cultivo”, afirma Franciele.


Ela complementa, dizendo que muitos fatores impactam na recuperação microbiana pelo cultivo. E o impacto de não se detectar pode colocar em risco a saúde humana, como, por exemplo, a contaminação de um produto que deveria ser estéril. “Portanto, eu acredito que devemos utilizar a tecnologia a nosso favor e avaliar, criteriosamente, os benefícios reais de cada método na detecção do microrganismo”, menciona a especialista.


TIPOS DE TESTES


Alessandra afirma que existem muitos métodos disponíveis no mercado, e distintos para cada análise. “Para o teste de esterilidade existem os Métodos Baseados no Crescimento, Métodos eletroquímicos de Detecção da produção ou consumo de CO2 e Métodos Baseados na Viabilidade Direta Microscopia de eplifluorescencia Citometria de fluxo”, afirma ela.


As tecnologias que podem ser utilizadas para o teste de esterilidade são Bioluminescência de ATP Celsis AKuScreen Milliflex Rapid Sterility Test, além de Detecção da Produção e Consumo de Dióxido de Carbono (colorimétrica/fluorescência) Bact/Alert 3DTest BACTEC.


Alessandra continua: para o teste de endotoxina bacteriana é a quantificação de endotoxinas bacterianas presentes nas amostras que consistem nas técnicas cinéticas colorimétrica e turbidimétrica.


Já o método cinético colorimétrico possui maior facilidade analítica, menor tempo para preparação do teste e para obtenção de resultados (aproximadamente 15 minutos), com possibilidade de monitoramento durante o processo produtivo.

Ela comenta, ainda, que o método LAL cinético turbidimétrico é monitorado por espectrofotometria a 340nm por tempo, em função de turbidez. O tempo necessário para o aparecimento de turbidez é inversamente proporcional à quantidade de endotoxinas presentes na amostra. A concentração de endotoxinas em amostras desconhecidas é calculada a partir de uma curva padrão.


O teste de pesquisa de patógenos consiste em identificação de micro-organismo patogênico presente nas amostras. “Os métodos disponíveis hoje no mercado são pela técnica de espectrometria de massa Maldi Tof e Vitek MS e provas bioquímicas”, lembra Alessandra.


Para a técnica de espectrometria de massa (Mald ToF e Vitek MS), o material é colocado em uma placa com matriz e bombardeado com um laser que o evapora. Um sistema ioniza e aspira o material volatilizado, que chega a detectores, os quais registram o tempo em que a substância chega ao detector e sua quantidade. Cada patógeno tem um espectro característico, que é analisado por um software.

Alessandra explica, também, a técnica de prova bioquímica (Vitek 2), que é considerada simples, em que se obtém resultados no mesmo dia.


“Após o isolamento do organismo principal, inocula-se no cassete Vitek 2 no Samart Carrier Stationt TM, no qual o cartão Vitek 2 e a amostra estão vinculados. Após se carregar o cassete, a incubação e a leitura de cada cartão são gerenciados pelo sistema, sem a intervenção do analista. Os cartões de identificação contém pocinhos com provas bioquímica e AST únicos. Prontos para uso, os cartões de identificação do Vitek 2 podem fornecer resultados de identificação de suscetibilidade em apenas cinco horas”, ensina a especialista.


ESTRATÉGIAS DE VALIDAÇÃO


Para a validação dos métodos rápidos, o ponto principal é realizá-los em comparação ao método tradicional/convencional, para que seja demonstrado que esses são equiparáveis, ou melhores, para a recuperação microbiana. Essa deve ser a principal vantagem, segundo o diretor do CDPI – Centro de Desenvolvimento Profissional Industrial, Poatã Casonato.


Para Franciele, essa etapa costuma ser bem trabalhosa, pois, dependendo do método aplicado, por exemplo, uma análise com o uso de RT-PCR, não é de prática comum de um analista de controle de qualidade da indústria farmacêutica. Isso significa que o método precisa ser executado por um profissional que domine as técnicas para que a validação seja robusta e justifique a substituição.


“Assim, eu vejo que ocorrerá uma mudança também na equipe técnica, que deverá se atualizar para, não somente implementar, como também executar essa rotina nova, que eu acredito que irá mudar e dominar os laboratórios de microbiologia em pouco tempo”, conclui Franciele.


O CDPI tem um programa de treinamento para os especialistas da área microbiológica, intitulado PDPI - Programa de Desenvolvimento Profissional Industrial. Ele estimula a reflexão e a aplicação prática em um curso avançado para analistas, especialistas e gestores da microbiologia industrial. Saiba mais pelo whatsapp (62) 98162-4758 ou e-mail: cursos@cdpipharma.com.br.

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