BIOFARMACÊUTICAS SE UNEM PARA PRODUZIR NOVOS ANTIBIÓTICOS



POR EGLE LEONARDI E JÚLIO MATOS

As 23 maiores empresas biofarmacêuticas mundiais anunciaram ontem (9/7) o lançamento de uma parceria inovadora com objetivo de levar entre 2 a 4 novos antibióticos a pacientes nos próximos dez anos, chamada AMR Action Fund. Tais tratamentos são urgentemente necessários para lidar com o rápido aumento de infecções resistentes a antibióticos - também chamadas de resistência antimicrobiana, ou AMR (do inglês, antimicrobial resistance).


As empresas conseguiram, até o momento, quase US$ 1 bilhão (cerca de R$ 5,36 bilhões) em novos fundos para apoiar a pesquisa clínica de novos antibióticos inovadores que serão utilizados para combater as bactérias mais resistentes e infecções potencialmente fatais.


As farmacêuticas são: Almirall, Amgen, Bayer, Boehringer Ingelheim, Chugai, Daiichi Sankyo, Eisai, Eli Lilly and Company, GlaxoSmithKline, Johnson & Johnson, LEO Pharma, Lundbeck, Menarini, Merck, MSD, Novartis, Novo Nordisk, Novo Nordisk Foundation, Pfizer, Roche, Shionogi, Takeda, Teva, UCB.


Por meio do AMR Action Fund, as empresas unirão forças com filantropos, bancos de desenvolvimento e organizações multilaterais para fortalecer e acelerar a criação de antibióticos. O Fundo se concentrará em necessidades urgentes de saúde pública. Fornecerá recursos financeiros muito necessários, além de suporte técnico importante para ajudar as empresas de biotecnologia a levar novos antibióticos aos pacientes.


Outra matéria sobre o tema: https://www.cdpipharma.com.br/post/eli-lilly-anuncia-primeiro-estudo-com-anticorpos-contra-a-covid-19


A parceria AMR Action Fund, uma iniciativa do órgão internacional que representa a indústria farmacêutica de P&D (Federação Internacional de Associações e Fabricantes Farmacêuticos, IFPMA), foi anunciada em eventos simultâneos de lançamento virtual em Berlim, na Alemanha; e em Washington, nos EUA, com um terceiro evento em Tóquio, no Japão, que ocorre hoje (10/7).


A resistência antimicrobiana (AMR) é uma crise global iminente que tem o potencial de ter um impacto ainda maior que a Covid-19 em termos de mortes e custos econômicos. Enquanto o número de mortes pelo novo coronavírus continua a aumentar tragicamente, a cada ano 700 mil pessoas morrem de AMR. Em alguns dos cenários mais alarmantes, estima-se que até 2050 a AMR possa atingir até 10 milhões de vidas por ano.


"Ao contrário da Covid-19, a AMR é uma crise previsível e evitável. Precisamos agir juntos para restabelecer um desenvolvimento de novos antibióticos e garantir que os antibióticos mais promissores e inovadores passem do laboratório a pacientes", disse em comunicado o diretor-geral da IFPMA, Thomas Cueni, um dos organizadores do novo fundo. Ele acrescenta: "O AMR Action Fund é uma das maiores e mais ambiciosas iniciativas de cooperação já empreendidas pela indústria farmacêutica a fim de responder a uma ameaça mundial à saúde pública".


O mundo precisa urgentemente de novos antibióticos, mas há poucos nas principais linhas de desenvolvimento farmacêutico devido a um paradoxo: apesar dos enormes custos sociais da AMR, atualmente não há um mercado viável para novos antibióticos. Eles são utilizados com moderação para preservar a eficácia; portanto, nos últimos anos, várias biotecnologias focadas em antibióticos declararam falência ou saíram deste espaço diante da falta de sustentabilidade comercial, resultando na perda de valiosos conhecimentos e recursos.


A consequência é uma enorme necessidade em nível de saúde pública para novos antibióticos, havendo ainda uma falta de financiamento disponível para pesquisa e desenvolvimento, particularmente nas fases finais da pesquisa clínica. Isso cria um ‘vale da morte’ entre a descoberta e o acesso do paciente.


"Com o AMR Action Fund, a indústria farmacêutica está investindo quase US$ 1 bilhão para sustentar o desenvolvimento de antibióticos que está à beira do colapso, uma situação potencialmente devastadora que pode afetar milhões de pessoas em todo o mundo", disse o presidente e diretor-executivo da Eli Lilly and Company e presidente da IFPMA, David Ricks. "O AMR Action Fund apoiará candidatos inovadores a antibióticos nas fases posteriores mais desafiadoras do desenvolvimento de medicamentos, proporcionando aos governos tempo para fazer as reformas políticas necessárias e permitir um desenvolvimento de antibióticos sustentável".


Embora o AMR Action Fund seja um passo importante para enfrentar o desafio da AMR, os formuladores de políticas em todo o mundo devem aprovar reformas baseadas no mercado, incluindo reformas de reembolso e novos incentivos para revitalizar o mercado de antibióticos e também impulsionar investimentos sustentáveis em pesquisa e desenvolvimento de antibióticos. Até agora, a indústria biofarmacêutica tem agido no sentido de apoiar o atual desenvolvimento farmacêutico de antibióticos.


Com esse investimento, o AMR Action Fund será o maior empreendimento coletivo já criado para lidar com a AMR. O que faz o Fundo:

· Investe em empresas de biotecnologia menores com foco no desenvolvimento de tratamentos antibacterianos inovadores que atendam às necessidades de saúde pública de maior prioridade, para fazer uma diferença significativa na prática clínica e salvar vidas;

· Fornece suporte técnico às empresas da área, dando-lhes acesso à profunda experiência e recursos de grandes empresas biofarmacêuticas, com o intuito de fortalecer o desenvolvimento de antibióticos e apoiar o acesso e o uso apropriado de antibióticos; e

· Reúne uma ampla aliança de partes interessadas da indústria e de outros setores, incluindo filantropos, bancos de desenvolvimento e organizações multilaterais, ajudando a incentivar os governos a criar condições de mercado que permitam investimentos sustentáveis no desenvolvimento de antibióticos.

Com informações do Businness Wire


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